Iene japonês volta a disparar contra o dólar em 2026; entenda o impacto ao investidor
A moeda oficial do Japão se valorizou repentinamente +3% ante o dólar americano nesta quinta-feira (30), alcançando o patamar de ¥ 158,34.
Embora o investidor brasileiro esteja geograficamente bem distante do mercado japonês, a nossa bolsa de valores está sujeita ao desmonte do "carry trade" nipônico.
Vale contextualizar que o iene japonês até pouco negociava em seu menor patamar perante o dólar nos últimos 40 anos, mas faz parte da política monetária
do Banco do Japão (BoJ) intervir no mercado de câmbio, fortalecendo a moeda do país e provocando mudanças no fluxo de dinheiro que irradia as bolsas de valores globais.
Talvez você já tenha até ouvido falar sobre o "carry trade", estratégia sofisticada usada por grandes investidores que se aproveitaram por décadas do custo zero de se endividar na moeda japonesa
e depois investir recursos em mercados mais rentáveis ao redor do mundo, inclusive no Brasil, conhecido como a terra da renda fixa e por suas empresas exportadoras de commodities.
Todavia, o Banco do Japão abandonou sua política de juros negativos e viu os rendimentos de seus títulos públicos alcançarem máximas que não eram vistas há duas gerações, o que tornou os empréstimos em ienes muito mais caros para se pagar.
O governo pró-mercado da premiê Sanae Takaichi já tem surtido efeitos na Bolsa de Tóquio e as cotas do ETF EWJ subiam em torno de +4,5% hoje.
Para cobrir as perdas com o iene japonês, os grandes fundos de investimento globais costumam vender ativos rentáveis ao redor do mundo de forma precipitada (ações, criptoativos, commodities e títulos públicos),
gerando volatilidade e quedas generalizadas nas bolsas internacionais.
A própria B3 (B3SA3) já tem registrado quedas relevantes no fluxo de dinheiro estrangeiro em 2026,
uma vez que os mercados emergentes, como o Brasil, tendem a ser evitados com o desmonte do carry trade japonês, coincidindo com o momento de volatilidade do Ibovespa.