domingo, 19 de julho de 2026

 








Tarifaço pode abrir portas na China, mas analistas veem limites para avanço das exportações brasileiras | G1

Especialistas, porém, avaliam que o país asiático deve absorver apenas uma parcela das vendas que eventualmente forem afetadas pelas tarifas americanas. A diferença entre o perfil das exportações brasileiras para os dois países e a própria capacidade industrial chinesa limitam uma substituição rápida dos mercados.

No ano passado, o Brasil exportou US$ 99,94 bilhões (cerca de R$ 512 bilhões) para a China, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O valor é bem mais que o dobro das vendas para os EUA, que somaram US$ 37,7 bilhões (cerca de R$ 192,7 bilhões).

No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para o mercado chinês alcançaram recorde de US$ 58,32 bilhões (cerca de R$ 299 bilhões), alta de 21,9% na comparação com igual período do ano anterior.

Ainda assim, a China não é uma solução imediata para a maior parte dos produtos atingidos.

"Quando existe excedente de produção, as empresas buscam novos mercados. A China é um grande mercado, mas eu não acredito que somente o tarifaço vá provocar alguma mudança nisso", afirma Rodrigo Giraldelli, especialista em comércio China-Brasil e CEO da China Gate.

"O que entra nesse tarifaço são, basicamente, produtos manufaturados, máquinas, equipamentos e esse tipo de coisa. E, nesse caso, a China produz muito e exporta justamente esse tipo de produto", diz.

Principais destinos das exportações brasileiras em 2026 — Foto: Arte/g1

Perfil das exportações limita substituição

Enquanto os americanos importam do Brasil principalmente aeronaves, máquinas, equipamentos, produtos siderúrgicos transformados e outros bens industrializados, as compras chinesas são concentradas em commodities.

  • 🔎 Atualmente, soja, petróleo bruto, minério de ferro e carnes representam quase 90% das exportações brasileiras para a China. Essa concentração reduz a capacidade de empresas que vendem produtos industriais aos EUA migrarem para o mercado chinês.
"Um fabricante brasileiro que perder mercado nos EUA nem sempre consegue redirecionar sua produção para a China. Isso ocorre apenas parcialmente e varia conforme o setor", explica Wagner Pagliato, coordenador dos cursos de Administração e Ciências Contábeis da Unicid.

Segundo Vera Kanas, especialista em comércio internacional, a China tende a oferecer mais oportunidades para produtos agrícolas e minerais do que para bens industrializados.

"A pauta exportadora brasileira para a China é restrita a poucas commodities, como minério de ferro e soja. Além disso, muitas das commodities que o Brasil exporta para a China não foram atingidas pelas tarifas impostas recentemente."

Os 20 produtos mais exportados para a China no 1º semestre de 2026 — Foto: Arte/g1

A experiência do primeiro tarifaço de Trump mostra que parte das empresas conseguiu buscar outros mercados, mas sem uma substituição completa.

Segundo o Boletim Regional do Banco Central publicado em dezembro de 2025, as vendas brasileiras para os EUA caíram 6,7%, de US$ 40,4 bilhões para US$ 37,7 bilhões em 2025. No mesmo período, as exportações para outros países cresceram de US$ 296,7 bilhões para US$ 310,6 bilhões.

No período mais intenso das tarifas, entre agosto e novembro de 2025, produtos como petróleo, aviões, semiacabados de ferro e aço, café, carne bovina, sucos de frutas e celulose tiveram queda nas vendas aos EUA, mas aumento das exportações para outros destinos, indicando um redirecionamento parcial dos fluxos comerciais.

Além da diferença no perfil das compras, o mercado chinês possui suas próprias restrições. Entre elas estão cotas tarifárias para alguns produtos agropecuários, exigências sanitárias e regras para habilitação de exportadores.

Como Brasil e China não possuem acordo de livre comércio, os produtos brasileiros continuam sujeitos às tarifas de importação aplicadas pelo mercado chinês, além de exigências regulatórias e barreiras específicas para determinados setores.

  • 💰 A China não aplica uma tarifa única sobre produtos brasileiros. As alíquotas variam conforme o produto e a classificação tarifária. Commodities como soja, minério de ferro e petróleo costumam ter tarifas menores ou zeradas por serem estratégicas para a economia chinesa. A soja, por exemplo, tem tarifa de cerca de 3%, enquanto o minério de ferro entra com alíquota de 0%. Já produtos industrializados tendem a enfrentar taxas mais altas.

Economia chinesa cresce menos

Uma mulher e duas crianças fazem compras diante de uma prateleira refrigerada de queijos em um supermercado em Pequim, na China, em 10 de julho de 2026. — Foto: Reuters

Outro fator que limita uma expansão maior das exportações brasileiras é o momento vivido pela economia chinesa.

No segundo trimestre de 2026, o Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 4,3%, abaixo do registrado no início do ano e inferior à meta estabelecida pelo governo.

Ao mesmo tempo, o país enfrenta uma prolongada crise no setor imobiliário, consumo doméstico enfraquecido e excesso de capacidade industrial.

"A economia chinesa continua crescendo, mas em ritmo menor do que no passado. Os dados recentes mostram crescimento sustentado principalmente pelas exportações e pela indústria, enquanto o consumo doméstico permanece fraco e o setor imobiliário continua enfrentando dificuldades", afirma Pagliato.

Para ele, esses fatores tornam arriscado ampliar excessivamente a dependência brasileira do mercado chinês.

"A China continua sendo um mercado enorme e essencial para o Brasil, mas apostar em uma dependência ainda maior aumenta a vulnerabilidade brasileira a uma eventual desaceleração mais forte da economia chinesa."

Oportunidades em novos setores

Conferência Mundial de Inteligência Artificial em Xangai em julho de 2026 — Foto: REUTERS/Go Nakamura

Apesar das limitações, especialistas veem oportunidades decorrentes da mudança de estratégia econômica chinesa.

  • 🤖 O 15º Plano Quinquenal (2026-2030) estabelece como prioridade o desenvolvimento de setores ligados à inteligência artificial, semicondutores, veículos elétricos, biotecnologia e transição energética.

Essa mudança tende a ampliar a demanda por minerais críticos, como níquel, cobre, grafite e terras raras — recursos abundantes no Brasil.

Nos últimos anos, os investimentos chineses também passaram a se concentrar em projetos de energia renovável, mineração e mobilidade elétrica.

Na avaliação dos especialistas, o principal efeito do tarifaço pode ser acelerar a diversificação das exportações brasileiras, e não necessariamente aumentar a dependência da China.

"O tarifaço vai acelerar uma mudança permanente na geografia das exportações brasileiras, seja pela busca mais ativa por novos mercados, seja pela negociação de acordos de livre comércio", afirma Vera Kanas.

Para o professor Wagner Pagliato, a estratégia mais segura é ampliar o número de destinos das exportações brasileiras.

"A China continuará sendo um parceiro fundamental, mas a diversificação reduz a exposição do Brasil tanto às mudanças na política comercial americana quanto aos riscos de uma desaceleração mais intensa da economia chinesa."

O movimento inicial das empresas brasileiras, segundo Rodrigo Giraldelli, tende a ser de adaptação ao novo cenário, antes de uma mudança completa dos mercados consumidores.

"É tudo muito novo, então as empresas ainda estão avaliando a situação. As negociações vão e voltam, as taxas podem subir e depois ser retiradas. As empresas estão aguardando para ver como o mercado vai se comportar, principalmente qual será a reação dos clientes americanos", afirma.

Segundo ele, muitas companhias devem tentar preservar as vendas para os EUA por meio de ajustes comerciais, como renegociação de preços e condições de venda.

"A China está muito longe e desenvolver novos mercados não acontece do dia para a noite", afirma. "É claro que a movimentação dos empresários já está acontecendo no sentido de buscar alternativas, mas a China não é uma alternativa óbvia e imediata para a maioria desses mercados afetados."

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da China, Xi Jinping, cumprimentam-se cerimônia no Palácio do Povo, em Pequim, no dia 13 de maio de 2025 — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

 








Ilha de excelência que impulsiona o agro, Embrapa enfrenta risco de deterioração

Sede da Embrapa Agroenergia. (Foto: Maria Goreti Braga dos Santos/Embrapa)

Construção de laboratórios sem previsão de receita para manutenção, causando depreciação e ociosidade dos prédios; reagentes laboratoriais para experimentos científicos vencidos devido à demora na tramitação das compras e queda de 80% dos recursos para pesquisa em uma década.

Esse cenário de crise estrutural e da gestão na produção científica, comum no Brasil em universidades e institutos públicos, é atribuído, por um grupo de nove pesquisadores, à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A estatal brasileira é considerada no país e internacionalmente uma das maiores e mais bem-sucedidas instituições de pesquisa voltadas para a agricultura tropical do mundo.

No relatório, os pesquisadores colocam em xeque o futuro da estatal, apontando a “deterioração silenciosa das capacidades que sustentaram as contribuições da empresa por décadas” e avaliam que o risco é elevado. O relatório foi coordenado por Ana Célia Castro, professora da UFRJ, e pesquisadora no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), e Antônio Márcio Buainai, professor da Unicamp.

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O levantamento, chamado de “Embrapa entre o legado, o futuro e as transformações necessárias”, foi feito pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (INCT/PPED), e é resultado de projeto da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais). O estudo, realizado entre 2023 e 2024, envolveu outros sete pesquisadores da Unicamp e da UFRJ, além de especialistas da própria Embrapa. O texto foi revelado pela Folha de S.Paulo e confirmado pelo GLOBO.

Segundo o documento, a maior parte dos pesquisadores está no topo da carreira, o que torna cara a folha de pagamentos da empresa, enquanto não há renovação dos quadros. O estudo diz que o plano de cargos permite que muitos pesquisadores alcancem o topo salarial entre dez e 15 anos e, esse “teto precoce” gera uma estrutura rígida, já que não há mais para onde progredir economicamente, o que desincentiva a inovação. O levantamento aponta que há dificuldade em atrair cientistas de dados e especialistas em IA, profissionais mais requisitados pelas empresas de ponta em tecnologia e inovação.


Segundo o documento, a maior parte dos pesquisadores está no topo da carreira, o que torna cara a folha de pagamentos da empresa, enquanto não há renovação dos quadros. O estudo diz que o plano de cargos permite que muitos pesquisadores alcancem o topo salarial entre dez e 15 anos e, esse “teto precoce” gera uma estrutura rígida, já que não há mais para onde progredir economicamente, o que desincentiva a inovação. O levantamento aponta que há dificuldade em atrair cientistas de dados e especialistas em IA, profissionais mais requisitados pelas empresas de ponta em tecnologia e inovação.

“Isso inverte a lógica institucional, fazendo com que as prioridades científicas sejam ditadas pela disponibilidade de recursos externos e não pela estratégia de Estado de longo prazo”, escreveram os pesquisadores no relatório.

A verba destinada às pesquisas, em valores nominais, segundo o relatório, encolheu de R$ 400 milhões em 2010 para R$ 65 milhões em 2024. O orçamento global de custeio (manutenção de laboratórios, campos experimentais e infraestrutura) encolheu de R$ 633,8milhões, em 2011, para R$ 299,7 milhões em 2025.

O relatório diz que a Embrapa não tem estratégia clara para lidar com tecnologias disruptivas, como IA e opera com “mosaico” de plataformas de informática, não integradas, gerando insegurança dos dados nas pesquisas.

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Mesmo enfrentando possíveis problemas citados no relatório, a importância da Embrapa é reconhecida por especialistas do agro. Foi através das pesquisas da estatal, nas últimas décadas, que o Brasil se tornou uma das maiores potências agrícolas do mundo. Com tecnologias de correção do solo e cultivares adaptados, a agricultura ocupou em massa o Cerrado, na década de 70, em áreas antes consideradas inférteis. Hoje, culturas como soja, milho, algodão e sorgo da região Centro-Oeste, respondem por 60% de tudo que é cultivado no país.

Foi também dos laboratórios da Embrapa que saiu a técnica de fixação biológica de nitrogênio, ferramenta que utiliza bactérias para substituir fertilizantes químicos, gerando bilhões de reais em economia aos produtores e reduzindo o impacto ambiental. A criação de centenas de variedades de soja e pastagens (como a braquiária) adaptadas aos diferentes microclimas e biomas do país aumentou a produtividade no campo em mais de 300% em três décadas.

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“A Embrapa possui o maior banco de sementes da América Latina e um dos maiores do mundo”, lembra Glaucia Maria Pastore, professora da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

sábado, 18 de julho de 2026

 








Quer viajar para a próxima Copa do Mundo? Veja como investir durante 4 anos 


Às vésperas da final da Copa do Mundo de 2026, entre Espanha e Argentina, marcada para este domingo (19), muitos torcedores já começam a sonhar com a próxima edição do torneio. 


Para quem deseja acompanhar o Mundial de perto em quatro anos, começar a investir desde agora pode fazer toda a diferença. 

Um levantamento elaborado por Jeff Patzlaff,


 planejador financeiro e especialista em finanças pessoais, mostra que é possível formar um patrimônio de R$ 50 mil em quatro anos por meio de uma estratégia baseada em investimentos de renda fixa.


Pelas simulações, o investidor precisaria fazer aportes mensais de aproximadamente R$ 832,11 no Tesouro Selic, R$ 818,69 no Tesouro IPCA+ ou R$ 791,28 no Tesouro Prefixado para alcançar a meta de R$ 50 mil ao fim do período.


 As projeções consideram as estimativas para Selic e inflação divulgadas pelo Boletim Focus e não incluem taxas do Tesouro Nacional nem o Imposto de Renda.


O tempo pode ser o maior aliado

Segundo Patzlaff, começar a investir com antecedência reduz o esforço financeiro e permite que os juros compostos trabalhem a favor do investidor. Conforme explica, 


"quando você investe pra um sonho/objetivo o tempo é o fator que mais pesa a seu favor, quando você tem 4 anos pela frente, os juros compostos têm tempo suficiente para trabalhar."


O especialista destaca que adiar o planejamento pode tornar o objetivo muito mais caro. "Se você deixasse para começar em 2028, teria que tirar do próprio salário quase 100% do valor da viagem.


" Além disso, ele observa que quem se organiza antecipadamente consegue pagar a viagem antes do embarque e ainda aumenta as chances de adquirir passagens aéreas e ingressos nos primeiros lotes, normalmente vendidos por preços mais baixos.


Por que diversificar os investimentos?

Na avaliação de Patzlaff, a construção da reserva não deve depender de um único ativo. O objetivo é reduzir riscos e aproveitar as características de diferentes títulos públicos.


 O Tesouro Selic, segundo o especialista, é indicado para a parcela dos recursos que pode precisar ser utilizada antes da viagem, como na compra antecipada de passagens ou na reserva de hospedagem. 


Já o Tesouro IPCA+ funciona como proteção contra a inflação, preservando o poder de compra de quem pretende viajar ao exterior. O Tesouro Prefixado, por sua vez, permite travar uma taxa de rentabilidade desde o início, garantindo esse retorno mesmo se os juros da economia caírem até 2030.


Para o planejador financeiro, distribuir os recursos entre diferentes títulos também reduz a exposição às oscilações das taxas de juros e da inflação, além de diminuir os efeitos da marcação a mercado caso seja necessário resgatar parte dos recursos antes do vencimento.


Tesouro Selic é a alternativa mais conservadora

Patzlaff afirma que quem prefere simplicidade também pode optar por concentrar os investimentos em um único produto. "Se ficar na dúvida de onde guardar esse valor, guarde em Tesouro Selic para nao precisar se preocupar com as variações do Cenário."


Segundo o especialista, o importante é iniciar o planejamento o quanto antes. Com quatro anos até a próxima Copa do Mundo, os aportes mensais tendem a ser mais acessíveis e permitem que o investidor construa a reserva necessária para realizar o sonho de acompanhar o maior torneio de futebol do planeta sem comprometer o orçamento no futuro.


Veja a simulação:

Tesouro Selic: aporte mensal de aproximadamente R$ 832,11;

Tesouro IPCA+: aporte mensal de aproximadamente R$ 818,69;

Tesouro Prefixado: aporte mensal de aproximadamente R$ 791,28.

 








Raízen (RAIZ4): B3 estende prazo para companhia reenquadrar ações abaixo de R$ 1



A Raízen (RAIZ4) informou nesta sexta-feira (17) que recebeu da B3 uma prorrogação do prazo para apresentar um plano de reenquadramento da cotação de suas ações preferenciais, que seguem negociadas abaixo de R$ 1.


Segundo comunicado enviado ao mercado, a companhia terá até 31 de março de 2027 para apresentar o cronograma e os procedimentos que pretende adotar para que os papéis voltem a ser negociados acima do valor mínimo exigido pela bolsa


A decisão dá continuidade aos comunicados divulgados pela empresa em 9 de dezembro de 2025 e 29 de maio de 2026, quando a Raízen já havia informado sobre o desenquadramento das ações e as tratativas com a B3.


O que significa negociar abaixo de R$ 1?

O Regulamento para Listagem de Emissores da B3 estabelece que companhias com ações negociadas por um período prolongado abaixo de R$ 1 precisam apresentar um plano de reenquadramento.


 O objetivo é evitar a chamada condição de penny stock, geralmente associada a papéis de maior volatilidade e menor liquidez.

Na prática, a concessão do novo prazo não representa risco imediato de deslistagem da Raízen, mas obriga a companhia a apresentar medidas para adequar a cotação às regras da bolsa.


Entre as alternativas normalmente adotadas pelas empresas está o grupamento (reverse split) de ações, operação que eleva o preço unitário dos papéis sem alterar o valor total da participação dos acionistas.


O momento da Raízen

A Raízen atravessa um dos momentos mais desafiadores de sua história. Nos últimos meses, a companhia colocou em prática um amplo plano de reestruturação financeira e operacional, após registrar prejuízos bilionários, elevado endividamento e forte pressão sobre a geração de caixa.


Como parte desse processo, a empresa vem acelerando a venda de ativos, reduziu investimentos e homologou um Plano de Reestruturação Extrajudicial (PRE) para renegociar parte de suas dívidas. 


A companhia também concluiu recentemente a venda de sua operação na Argentina para reforçar o caixa.

Mesmo com essas iniciativas, as ações da Raízen permanecem negociadas abaixo de R$ 1 desde dezembro de 2025, o que levou a companhia a solicitar a extensão do prazo para cumprir as exigências da B3.


 







Por que estrangeiros estão comprando tantos imóveis no Brasil 


O Brasil "estar na moda" já tem reflexos no mercado imobiliário do país. Regiões como a Zona Sul do Rio de Janeiro e o litoral de Santa Catarina registram têm registrado um aumento robusto na busca de imóveis por estrangeiros nos últimos anos.


O interesse vai além de uma mera busca por um lugar onde se hospedar e tem sido encarado por vários compradores como um investimento. Mas o fenômeno também tem gerado efeitos indesejados, ajudando a alimentar uma alta do preço de aluguéis, o que deve elevar a pressão por regulações.


Em 2025, o Brasil registrou um recorde de 9,2 milhões de visitantes estrangeiros. E os cinco primeiros meses de 2026 já somaram 4,9 milhões.


Paralelamente, há um aumento de interesse por estadias no país especialmente após a pandemia.


Em cidades como Rio de Janeiro e Florianópolis, o período foi marcado por uma maior busca de imóveis por profissionais trabalhando em home office e os chamados nômades digitais. No caso carioca, a prefeitura local chegou a lançar em 2021 um programa visando atrair esse tipo de profissional.


"Os avanços nas vendas são identificados principalmente nos imóveis compactos recém-lançados. Em Ipanema e no Leblon, pesquisas mostram que 30% dessas unidades foram comercializadas para estrangeiros", afirma o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio), Claudio Hermolin.


O diretor regional de relações internacionais do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Santa Catarina (Creci-SC), Marco Aurélio Lievore, apontou que, num levantamento de uma imobiliária em Florianópolis, 83% das vendas foram para clientes argentinos buscando apartamentos na planta.

"Os empreendimentos buscados em sua grande maioria são estúdios. Há muitos estrangeiros que passam férias aqui e depois vem procurar um lugar para morar ou investir", conta.


Entre as nacionalidades, americanos e argentinos se destacam entre os investimentos. Europeus de uma série de países, como França e Suíça, aparecem também entre os principais compradores, enquanto há registro ainda de um interesse crescente de cidadãos dos Emirados Árabes Unidos.


Atrativos no mercado global

Plataformas também tornaram mais atrativa a ideia de comprar um imóvel em outro país e obter renda à distância. Além disso, empresas vêm focando na oferta de serviços para o público externo, como na gestão destas propriedades.


A Lobie, empresa especializada na área, aponta que a participação de estrangeiros em sua carteira passou de cerca de 2% para 18% em três anos. Hoje, a companhia administra aproximadamente 1.620 estúdios de investidores de fora do Brasil.


"A vantagem desse tipo de imóvel para o comprador estrangeiro é a atratividade da cidade: ele pode utilizá-lo em períodos de férias e grandes eventos e, quando não for utilizado pelo próprio comprador, é um imóvel de grande procura", aponta Hermolin. "A receita obtida certamente paga a manutenção e deixa algum lucro", afirma.


Entre as vantagens apontadas por Lievore estão ainda fatores cambiais.

Em países como a Argentina, imóveis são normalmente negociados em dólar, o que torna transações em reais no Brasil mais atrativas. Além disso, o diretor aponta grande potencial de valorização do mercado brasileiro, especialmente quando em comparação com regiões litorâneas mais saturadas no mundo, como Miami, nos Estados Unidos, e o Algarve, em Portugal.


Há ainda a facilidade nos trâmites na comparação com outros países. "O Brasil é um país fácil de conseguir residência, é algo que ajuda muito", aponta Lievore. No caso catarinense, ele aponta um fluxo recente de russos, que se intensificou após a guerra na Ucrânia, e que visam especialmente obter um passaporte brasileiro.


Uma resolução do Conselho Nacional de Imigração (CNIg) permite aos estrangeiros que comprarem imóveis no Brasil solicitar autorização de residência. Pessoas físicas devem comprar um imóvel no valor mínimo de R$ 1 milhão e com recursos próprios de origem externa.


Airbnb em ascensão

O mercado brasileiro também já é o terceiro do mundo com mais anúncios de Airbnb, atrás somente de Estados Unidos e França, mas com um dos crescimentos mais acelerados nos últimos anos.

Desde 2022, cidades como Rio de Janeiro e Florianópolis tiveram suas ofertas de anúncios mais do que dobradas no Airbnb. No caso carioca, a plataforma AirDNA registra mais de 60 mil, enquanto a capital catarinense conta com 36 mil. Como comparação, em Barcelona, onde a modalidade será proibida a partir de 2028 pelos efeitos negativos no mercado imobiliário local, existem 26 mil anúncios.

"O Brasil vem registrando um crescimento nos anúncios acima do resto do mundo", resume Sofia Morais de Sousa, executiva de contas do AirDNA. Além dos municípios citados, São Paulo também se destaca em números absolutos, com mais de 61 mil anúncios.

Cidades no litoral catarinense exibem números comparativamente mais robustos. O AirDNA registra mais de 10 mil anúncios em Bombinhas, no Estado de Santa Catarina, que tem uma população de cerca de 25 mil habitantes.

Num levantamento publicado este ano, a plataforma Inside Airbnb listou a cidade no topo do ranking de concentração de anúncios no Brasil, com 210,3 por km2. Em seguida vem Balneário Camboriú, com 138,8 por km2 e mais de 10 mil anúncios ativos.

Neste caso, a região vem ainda se notabilizando pelos lançamentos de luxo, que são outra fonte de atração de estrangeiros. Segundo a construtora do Senna Tower, projeto que planejado para ser o prédio residencial mais alto do mundo, 16% dos apartamentos já vendidos foram para estrangeiros.

Há certa mudança no perfil dos turistas no país. Em 2021, o AirDNA registrava menos de 10% de estrangeiros como hóspedes no Brasil. No último ano, o número ficou acima de 20%. Ainda assim, segue bem diferente da Europa, onde o mercado doméstico costuma ser menos relevante. No caso da Espanha, 80% dos hóspedes são estrangeiros na plataforma, enquanto na Alemanha essa porcentagem é de 45%.

Pressão por regulação

Ao redor do mundo, os efeitos do avanço das estadas de curta temporada vêm sendo acompanhados por pressões regulatórias. Além de impactos negativos nos preços dos aluguéis de longo prazo para habitantes locais, vizinhos costumam questionar mudanças no ambiente dos condomínios, incluindo hóspedes que não cumprem regras de convivência.

Em maio, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a locação de imóveis residenciais em condomínios para estadias depende de autorização em assembleia com aprovação de pelo menos dois terços dos condôminos.

Por sua vez, a medida não é vista como suficiente para alterar o cenário da pressão imobiliária. Moradores já apontam aumento no custo dos aluguéis em certas cidades, como no caso de Florianópolis, que teve alta de 9% no último ano. "É o momento de entender o que está acontecendo, e a pressão no aluguel muda essa percepção", aponta Aline Cruviel, diretora de pesquisa e comunidade no Inside Airbnb.

"O discurso geral é de que é uma oportunidade de renda extra aos proprietários, mas na prática é um grupo restrito que consegue gerar renda, enquanto o todo acaba pagando os custos com a alta do aluguel", aponta. Cruviel destaca ainda empresas estrangeiras que observaram o mercado da América Latina como uma possiblidade de investimento.

Um destes casos é o da multinacional Blueground, que anuncia mais de 20 mil propriedades ao redor do mundo. No Brasil, a empresa adquiriu em 2023 a Tabas, que oferta aluguéis de curta temporada voltados principalmente para estrangeiros em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo.

Na avaliação de Cruviel, "há uma postura de autoridades de atração de investimentos, mas que não se avalia muito o outro lado e as consequências disso".

"A tendência é de regulamentos, especialmente quando os aluguéis começam a subir", aponta Morais de Sousa. Ao redor do mundo, medidas como a limitação de número de moradias disponíveis para aluguel de curta duração em certas regiões vêm sendo tomadas.

Em Nova York, parte das regulamentações visa limitar a concentração de muitas hospedagens com os mesmos anunciantes, algo que avança no Brasil. A Seazone, empresa que atua como uma das maiores anfitriãs do Airbnb no país, divulga que possui mais de 3600 imóveis.

Pelo lado das compras por estrangeiros, o Canadá baniu em 2023 a aquisição de propriedades no país por cidadãos de outras nacionalidades por dois anos, medida que foi renovada em 2025 e deve vigorar até 2027. "Durante anos, o capital estrangeiro tem entrado no Canadá para comprar imóveis residenciais, aumentando as preocupações com a acessibilidade à habitação", argumentou o governo.

Em sentido semelhante, a Espanha avalia restrições que, nestes casos, se aplicariam a cidadãos de fora da União Europeia. Uma proposta é a imposição de impostos de até 100% nestas transações. Em Portugal, o chamado "visto de ouro" para estrangeiros que comprassem imóveis no país esteve em vigor por anos visando abrir portas para residência, no entanto, o programa foi limitado em 2023 em razão das pressões no mercado imobiliário.

 








Estudo mostra que torcida argentina gastou R$ 2,5 bilhões para ver seleção na Copa; 


Cerca de 50 mil torcedores argentinos acompanharam de perto as partidas da equipe "albiceleste" nos Estados Unidos


A invasão da torcida argentina na Copa do Mundo 2026 se refletiu tanto nas arquibancadas quanto no bolso dos torcedores. Cerca de 50 mil torcedores argentinos acompanharam de perto as partidas da seleção "albiceleste" nos Estados Unidos,


 movimentando aproximadamente US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões na cotação atual) em despesas.

A estimativa considera dados de operadores turísticos e da oferta de assentos em voos, segundo a empresa de consultoria espanhola Qualy.


 O fluxo de torcedores da Argentina rumo ao Mundial 2026 é maior do que na Copa do Catar, em 2022, com gasto médio de US$ 10 mil por pessoa (R$ 51 mil).


A demanda também impulsionou o mercado de jatos particulares, pacotes de viagem e hospedagem. Os custos não incluem ingressos, que em sites de revenda variam entre US$ 7 mil (R$ 35 mil) e US$ 10 mil (R$ 51 mil).


Aos 46 min do 2º tempo - gol de cabeça de Lautaro Martínez da Argentina contra a Inglaterra


Final da Copa do Mundo

As seleções de Espanha e Argentina vão se enfrentar na final da Copa do Mundo 2026. Os espanhóis foram os primeiros a garantir a classificação para a grande decisão, após superarem a França na última terça-feira.


 Depois da virada sobre a Inglaterra, os argentinos confirmaram a vaga na finalíssima da competição nesta quarta-feira (15). O duelo entre as duas equipes será disputado no próximo domingo, dia 19 de julho.

Copa do Mundo: Veja quanto a Inglaterra levou ao conquistar o 3º lugar

 








Copa do Mundo: Veja quanto a Inglaterra levou ao conquistar o 3º lugar 


A disputa pelo terceiro lugar da Copa do Mundo 2026 garantiu muitas emoções para os fãs do futebol e trunfos importantes para a Inglaterra.


🥉 A seleção inglesa levou o título de terceira melhor do mundo ao derrotar a quase favorita França com uma goleada de 6 a 4 neste sábado (18), nos Estados Unidos. 


Foi a primeira vez que a Inglaterra conquistou a medalha de bronze do torneio e também o melhor desempenho da seleção inglesa desde o único título do país, conquistado em casa em 1966.


Além disso, a seleção de Jude Bellingham e Harry Kane garantiu um prêmio de US$ 29 milhões. Isto é, cerca de R$ 148 milhões na cotação atual.


E a França?

💶 A França também não vai voltar para casa de mãos abanando. A seleção de Les Blues garantiu um prêmio de US$ 27 milhões, ou R$ 138 milhões, ao ficar com o quarto lugar do Mundial.


Além disso, Kylian Mbappé fez dois gols contra os ingleses, ultrapassando Lionel Messi e tornando-se o maior artilheiro da história das Copas, pelo menos por enquanto.


Mbappé agora tem 22 jogos marcados em Mundiais, contra 21 de Messi. Só nesta edição da Copa, foram 10 gols do artilheiro francês e 8 do craque argentino.


Porém, Messi volta aos campos neste domingo (19) para disputar a grande final da Copa 2026, contra a Espanha. Por isso, essa disputa ainda está em aberto.


Prêmios recordes

💰 A Copa de 2026 foi a mais lucrativa da história. Afinal, contou com um número maior de jogos, mais anúncios publicitários e ingressos mais caros. Por isso, a Fifa deve alcançar um faturamento recorde de US$ 13 bilhões e distribuir US$ 871 milhões em prêmios neste Mundial.


Nenhuma das 48 seleções classificadas para o torneio voltou para casa com a conta vazia. Cada seleção recebeu US$ 2,5 milhões para cobrir os custos de preparação e um prêmio de ao menos US$ 10 milhões.


O valor da premiação foi subindo na medida em que as seleções avançavam na competição. O Brasil, por exemplo, levou US$ 15 milhões, mesmo após ser eliminado nas oitavas de final.


Já o grande campeão vai receber US$ 50 milhões -um prêmio quase 20% superior à bagatela de US$ 42 milhões paga na Copa de 2022. O prêmio e o título de melhor do mundo serão disputados neste domingo (19), às 16h, por Argentina e França.


Veja as premiações da Copa do Mundo de 2026:

Campeão: US$ 50 milhões;

2º lugar: US$ 33 milhões;

3º lugar: US$ 29 milhões;

4º lugar: US$ 27 milhões;

5º ao 8º lugar: US$ 19 milhões;

9º ao 16º lugar: US$ 15 milhões;


17º ao 32º lugar: US$ 11 milhões;

33º ao 48º lugar: US$ 10 milhões.

Além desses valores, cada uma das 48 seleções classificadas para a Copa do Mundo 2026 recebeu US$ 2,5 milhões para cobrir os custos de preparação para o torneio.

sábado, 11 de julho de 2026

A evolução do preço do carro zero no Brasil

 


A evolução do preço do carro zero no Brasil

Evolução dos preços

  • 2005 – Fiat Uno Mille – R$ 22 mil
  • 2006 – Fiat Uno Mille – R$ 23 mil
  • 2007 – Fiat Uno Mille – R$ 24 mil
  • 2008 – Fiat Uno Mille – R$ 24,5 mil
  • 2009 – Chevrolet Celta – R$ 25 mil
  • 2010 – Chevrolet Celta – R$ 25,5 mil
  • 2011 – Fiat Uno Mille – R$ 26,5 mil
  • 2012 – Fiat Uno Mille – R$ 27 mil
  • 2013 – Fiat Uno Mille – R$ 27,5 mil
  • 2014 – Fiat Palio Fire – R$ 28 mil
  • 2015 – Fiat Palio Fire – R$ 27,5 mil
  • 2016 – Fiat Mobi Easy – R$ 31 mil
  • 2017 – Fiat Mobi Easy – R$ 32 mil
  • 2018 – Renault Kwid Life – R$ 34 mil
  • 2019 – Renault Kwid Life – R$ 36 mil
  • 2020 – Renault Kwid Life – R$ 40 mil
  • 2021 – Renault Kwid Zen – R$ 50 mil
  • 2022 – Renault Kwid Zen – R$ 62 mil
  • 2023 – Fiat Mobi Like – R$ 69 mil
  • 2024 – Citroën C3 Live – R$ 73 mil
  • 2025 – Citroën C3 Live – R$ 75 mil
  • 2026 – Citroën C3 Live – R$ 77 mil

Se olharmos apenas para os números, fica evidente que durante mais de uma década os reajustes foram relativamente pequenos. Entre 2005 e 2015, o carro zero mais barato do país passou de aproximadamente R$ 22 mil para cerca de R$ 28 mil. Era um aumento gradual, muito próximo da inflação acumulada no período. Para quem acompanhava o mercado naquela época, parecia natural que os preços subissem alguns milhares de reais a cada ano.

A primeira grande mudança começou a aparecer a partir de 2016. Com a chegada de novos projetos, como o Fiat Mobi, as montadoras passaram a fabricar carros mais modernos e mais seguros. Airbags, freios ABS e reforços estruturais, que antes eram diferenciais, passaram a ser obrigatórios ou praticamente indispensáveis. Esses equipamentos aumentaram o custo de produção e fizeram desaparecer os antigos carros extremamente simples, como o Uno Mille e o Palio Fire.

Entre 2018 e 2020, o Renault Kwid tornou-se o carro mais barato do Brasil. Mesmo assim, seu preço continuou aumentando ano após ano. Além das mudanças na legislação, as montadoras já enfrentavam custos maiores com eletrônica embarcada, desenvolvimento de motores menos poluentes e matérias-primas mais caras. O carro popular já não era tão popular quanto antes.

O maior salto aconteceu entre 2020 e 2022. Em apenas dois anos, o preço do carro zero mais barato passou de aproximadamente R$ 40 mil para mais de R$ 60 mil. A pandemia interrompeu a produção mundial, provocou falta de semicondutores, elevou o preço do aço, do alumínio, dos plásticos e aumentou drasticamente o custo do transporte internacional. Como consequência, fabricar um automóvel ficou muito mais caro.

Outro fator importante foi a valorização do dólar. Mesmo veículos produzidos no Brasil utilizam diversos componentes importados. Sensores, módulos eletrônicos, chips e vários sistemas dependem do mercado internacional. Quando o dólar sobe, esses componentes ficam mais caros, elevando o custo final dos veículos.

Também houve mudanças na estratégia das montadoras. Em vez de produzir grandes volumes de carros básicos com margens pequenas, muitas empresas passaram a concentrar seus investimentos em modelos mais completos e lucrativos, principalmente SUVs e versões intermediárias. Isso reduziu a oferta de carros de entrada e contribuiu para elevar os preços médios do mercado.

A inflação explica apenas parte desse aumento. Ela realmente reduz o poder de compra da moeda ao longo dos anos, mas o crescimento do preço dos carros foi superior ao da inflação acumulada. Em outras palavras, além da inflação, houve aumento real dos custos de produção e mudanças estruturais no setor automotivo.

As exigências ambientais também ficaram mais rígidas. Motores precisaram ser adaptados para emitir menos poluentes, exigindo novas tecnologias, sistemas eletrônicos e processos de engenharia mais sofisticados. Essas melhorias beneficiam o meio ambiente e aumentam a segurança dos veículos, mas também tornam o produto final mais caro.

O resultado dessa combinação de fatores aparece claramente na evolução dos preços. Em pouco mais de vinte anos, o carro zero mais barato do Brasil saiu da faixa dos R$ 22 mil para cerca de R$ 77 mil. O aumento foi muito superior ao que a maioria dos brasileiros esperava e tornou o sonho do carro novo muito mais distante para milhões de famílias.

A grande pergunta agora é: esse cenário ainda pode mudar? Com a chegada de novas fabricantes, principalmente chinesas, e o aumento da concorrência, existe a expectativa de que os preços se tornem mais competitivos nos próximos anos. Porém, dificilmente veremos novamente um carro zero custando valores parecidos com os do início dos anos 2000, já que os veículos atuais são muito mais complexos, tecnológicos e caros de produzir do que eram duas décadas atrás.