terça-feira, 21 de abril de 2020
Ludicidade - [3] Terceira etapa - Furto do lúdico
➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖
Ludicidade - [3] Terceira etapa - Furto do lúdico
➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖
Professora Angela Bretas - Realizado em 2011/1
➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖
Por: Lino Carvalho - Face:Lino.Ufrj - Insta: @Linosfit - @UoLinosFit - CariocaLino
➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖
Alguns conteúdos como slides e apresentações podem ter sido extraviado, muitos por terem sido utilizado em pen drives ou por e-mail, não ficando na impresso!
➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖
Pessoal estou descartando todos meus impressos da faculdade de Educação Fìsica (UFRJ / EEFD), para não perder todo esse conteúdo que há muito tempo me serve como base, estou transcrevendo aqui no meu blog e espero lhe ajudar de alguma maneira
➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖
Para facilitar na localização da questão, basta usar a aba pesquisar acima do anuncio. Assim cole uma palavra da sua pergunta lá e a busca será feita em todo o site.
Por: @LinosFit - @TeamLineco
➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖➖
FURTO DO LÚDICO
Dinâmica lúdica: novos olhares ➖ De Gisele Maria Schwartz - 2004
Pág 58 - DINÂMICA LÚDICA
Crianças, adolescentes, jovens, adultos, idosos de qualquer cor, etnia, sexo, núvel socioeconômico, localização geogrática se expressam e manifestam-se ludicamente, segundo suas características e particularidades historicamente situadas. No caso da infância, fase da vida claramente permeada pelo lúdico da descoberta, curiosidade, imaginação, aprendizagem, criação e produção de cultura e conecimento, percebemos uma certa tendência dos adultos em "roubar" esse momento inerente ao mundo infantil e fundamentais para o processo de desenvolvimento pessoal e social, de construção de identidade diante do outro e do mundo.
Em Pedagogia da animação, Marcellino (1990) cita dois fatores que provocariam o furto do lúdico da vida da criança brasileira. Primeiramente, o autor apresenta a visão utilitarista da sociedade diante da infância apontando as relações da ausência lúdica com a preparação apara o futuro nessa fase da vida. Sob essa perspectiva, Marcellino (1990:60) considera que | a única aspiração possível à criança é tornar-se adulta. Todos os esforços, até mesmo no que diz respeito aos conteúdos que poderiam ser vivenciados ludicamente, como a prática esportiva, por exemplo, são dirigidos a preparar o terreno para o futuro "produto final", a ser exibido no mercado profissional, ou nas gôndolas do supermercado de personalidades. |
Em seguida, o autor apresenta o trabalho infantil como um segundo fator que provocaria o furto do lúdico da vida da criança. Infelizmente, grande parte da população infantil brasileira tem necesssidade de trabalhar para audar no roçamento familiar. Diariamente, milhares de crianças se ocupam em trabalhos extenuantes, imprimindo em seus corpos o cansaço e a evidência das desigualdades sociais.
Ao refletir sobre as experiências lúdicas no cotidiano de crianças de classe popular, de moradores e moradoras de uma favela, Debortoli (1997) perceber que essas se mostram bastante amplas, mesmo sem alternar as durezas de seu cotidiano, pois a brincadeira se torna divertimento inventado, momentos em ue fazem valer qualquer material e espaço disponível para criar alguma coisa gostosa de se fazer. Nesse sentido, percebemos que os direitos das crianças em relação à vivencia lúdica são ameaçados pela precoce "maturidade" que acabam necessitando assumir, seja trabalhando, seja cuidando da casa, de irmãos mais novos. Os sonhos, os desejos e a alegria deveriam ser amplamente compreendidos como expressões inerentes e próprias do mundo infantil, e não como meros momentos extraídos de um cotidiano cada vez mais adulto.
Por outro lado, crianças e adolescentes de classes sociais favorecidas economicamente também apresentam um cotidiano cercado por tarefas, as quais, nem sempre, representam escolhas próprias. Visando a preparação para o mundo do trabalho, são inseridas em curso que podem facilitar o acesso à futura profissão. Assim, o tempo da infância e adolescência deve ser "aproveitado" em nome de um futuro sujeito que, muitas vezes, ainda não o é considerado. Nesse sentido, brincadeira, festa e diversão são vistos como tempo não sério, abstrato de significados e contribuições para formação humana.
Com isso, notamos que o mundo das obrigações se faz presente na vida das rianças, sejam elas de classe sociais menos favorecidas ou não e, muitas vezes, a própria escola contribui para isso, ao tratar exclusivamente de uma educação para e pelos deveres, preocupando-se em ocupar o tempo dos alunos com tarefas "sérias" e "úteis" a sua formação.
A experiência lúdica propiciar nos espaços relacionados a atividades obrigatórias, como no trabalho, na escola, com festas, festivais, atividades físicas e esportivas, apresentações de teatro, shows, pode assumir perspectivas funcionalistas e utilitarista visando o bem-estar, o contentamento, a diversão das pessoas para que a produção continue ou atinja melhores desempenhos. Por outro lado, essas mesmas oportunidades de manifestações lúdicas podem constituir propostas que despertem para o questionamento, o conhecimento, a criação e a recriação cultural, visando o bem-estar, a alegria ou a diversão crítica e criativamente - com vivências que busquem diferentes maneiras de compreender o mundo, de questioná-lo, de conhecer e reconhecer a própria personalidade, perceber e relacionar-se com o outro, enfim experiências que despertem para formar mais humanas e sensíveis de viver e conviver. É nesse sentido que pretendo desvelar as possibilidades de inserção do lúdico nos caminhos do enino, da aprendizagem e da convivência próprios do contexto escolar.
