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Educação Física Adaptada - [2] Segunda etapa
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Professora Michele Pereira - Realizado em 2011/1
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Por: Lino Carvalho - Face:Lino.Ufrj - Insta: @Linosfit - @UoLinosFit - CariocaLino
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Alguns conteúdos como slides e apresentações podem ter sido extraviado, muitos por terem sido utilizado em pen drives ou por e-mail, não ficando na impresso!
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Pessoal estou descartando todos meus impressos da faculdade de Educação Fìsica (UFRJ / EEFD), para não perder todo esse conteúdo que há muito tempo me serve como base, estou transcrevendo aqui no meu blog e espero lhe ajudar de alguma maneira
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Por: @LinosFit - @TeamLineco
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Resumo do artigo ( O profissional de Educação Física e sua responsabilidade frente ao processo de inclusão)
Este texto tem como objetivo discutir a inclusão educacional de pessoas com necessidades especiais na perspectiva do Profissional de Educação Física
Com o princípio da Inclusão, a Educação Física escolar deve ter como eixo fundamental o aluno e, sendo assim, desenvolver as competências de todos os discentes e oportunizar aos mesmos as condições para que tenham acesso aos conteúdos que esta disciplina propõe, com participação plena, adotando para tanto estratégias adequadas, evitando a exclusão ou alienação. A concepção de cultura corporal do movimento amplia a contribuição da Educação Física Escolar para o pleno exercício da cidadania, apontando para um processo de ensino e aprendizagem centrado no desenvolvimento de capacidades e habilidades motoras, cognitivas, socioculturais e afetivas.
A atenção do profissional de Educação Física pelo trabalho com pessoas com necessidades especiais é relativamente nova, há tempos esses alunos eram liberados das aulas, eram encaminhados à biblioteca da escola, ou algo parecido, faziam pesquisas, ou até mesmo não faziam nada... A atividade física pode significar melhores condições de vida e maior inserção social. Para que se possa chegar a essa situação, é necessário que haja espaços físicos sem barreiras arquitetônicas, conhecimento das técnicas de orientação, da língua dos surdos e, principalmente, respeito à individualidade presente entre as pessoas (Diehl, 2006).
Refletindo sobre a formação do profissional em Educação Física, que culturalmente vem privilegiando o desenvolvimento de capacidades e habilidades físicas, pode-se dizer que o papel do professor dessa área é acompanhar a evolução com uma postura ética e responsável diante das diversidades e suas necessidades.
O autor ainda aborda que incluir a educação das crianças dentro da discussão educativa global não significa, apenas, incluí-las fisicamente nas escolas comuns, mas hierarquizar os objetivos filosóficos, ideológicos e pedagógicos da Educação Especial.
Podem-se incluir nesse conceito, as crianças com atraso na escolarização, com dificuldades escolares não permanentes, com um “simples” atraso ou disfunção na fala, com menor possibilidade de atenção concentrada nas atividades escolares, com dificuldades de relacionamento com os colegas, bem como aquelas que não participam das atividades e as que apresentam condutas agressivas (Macedo apud Rosseto 2005).
Nesse sentido, é necessário rever os paradigmas que sustentam a prática do educador físico, pois uma prática centrada na avaliação de resultados, na performance, dificilmente possibilitará a participação de todos. É necessário que o educador físico investigue e conheça as necessidades psicomotoras, afetivas, de aprendizagem e motoras de cada criança de sua sala para que possa planejar sua prática de maneira inclusiva.
De acordo com Rosseto (2005), em relação às dificuldades de aprendizagem, existem dois tipos de situações que se estabelecem no encontro professor-aluno: a primeira, quando os professores com muita eficiência e tranquilidade, aprendem com as dificuldades que o aluno traz e aprimoram seu processo de ensino, com o que o aluno minimiza sua situação de incapacidade para a aprendizagem; a segunda, quando de forma improvisada, o professor enfrenta de forma “dolorida”, com muita queixa e imobilismo as dificuldades que esse educando traz para a sala de aula.
a educação especial, não só recebe alunos com necessidades especiais mas também os atende nas suas especificidades, com recursos, com serviços e com currículos apropriados para garantir a sua aprendizagem. É de responsabilidade, pois, da educação especial organizar-se e adaptar-se para trabalhar com a diversidade, com a diferença, por isso mesmo optando por práticas pedagógicas distintas das convencionais.
O aprendizado de habilidades cognitivas ou motoras se resume na afirmação de que os fundamentos de qualquer assunto podem ser ensinados a qualquer indivíduo, em qualquer idade, de alguma forma. Em outras palavras, o reconhecimento de estar “apto” é responsabilidade tanto do educador quanto do aluno.
Cada pessoa é um indivíduo peculiar com sua própria escala de tempo para o desenvolvimento. Essa escala de tempo é a combinação da hereditariedade do indivíduo e das influências ambientais. Embora a sequência do aparecimento de características desenvolvimentista seja previsível, o índice de aparecimento pode ser bastante variável. Portanto, a adesão rígida à classificação cronológica de desenvolvimento por idade não tem apoio ou justificativa.
A Educação Física pretende atender às reais necessidades da criança, precisa ter como ponto de partida a compreensão das mudanças no seu comportamento motor, com o objetivo de identificar tais necessidades.
As aulas de Educação Física, sob a perspectiva da necessidade pedagógica, requerem que sejam organizadas e desenvolvidas de tal maneira que não haja exclusões nem generalizações.
Segundo Diehl (2006), o sucesso da aprendizagem está em explorar talentos, atualizar possibilidades, desenvolver predisposições naturais de cada aluno. As dificuldades, deficiências e limitações precisam ser reconhecidas, mas não devem conduzir ou restringir o processo de ensino. Para ensinar toda a turma, o professor não utiliza o falar, o copiar, e o ditar como recursos didáticos básicos. Ele partilha com seus alunos a construção/autoria dos conhecimentos produzidos em uma aula, restringindo o uso do ensino expositivo
A Educação Física escolar pode estimular a cooperação como forma de aproximar as diferenças, antes reforçando a auto-estima de quem se sente diferente, e fazendo com que, ao final, todos estejam jogando e vivendo em comum-unidade. A cooperação está vinculada à comunicação, à confiança e ao desenvolvimento de habilidades positivas de interação social .
De acordo Falkenbach (2002), os alunos nas aulas de Educação Física participam das diversas experiências corporais para as quais são provocados. Ao serem ajudados por professores e colegas, acabam por descobrir novos modelos. As relações entre os colegas provocam o simbolismo e a necessidade de comunicação nos participantes. Desta forma, Gramsci apud Pereira (1997) ressalta que o professor de Educação Física necessita desenvolver os conteúdos de forma a socializar a cultura, a buscar formar hábitos culturais novos, criar novas necessidades nos alunos no geral
Criar uma nova cultura não significa apenas fazer individualmente descobertas originais, significa também, e sobretudo, difundir criticamente verdades já descobertas, socializá-las
o planejamento profissional de um programa deve contemplar o desenvolvimento do saber, do saber fazer, do saber ser e do saber conviver, o que pressupõe considerar o ser humano na sua totalidade incluídos aos domínios cognitivo, motor, emocional e social .
Segundo González (2002), com a educação inclusiva os professores têm possibilidades de:
- Criar clima adequado para a interação e a cooperação;
- Motivar os alunos, produzindo expectativas positivas e utilizando reforços de autoestima e reconhecimento;
- Aceitar a diferença como componente da normalidade;
- Fomentar a convergência de todos os educadores por meio da atividade em equipe.
A Educação Física Inclusiva é a parte da Educação Social que se volta “particularizadamente”, para o corpo humano, e sob a exigência da unidicidade corporal, acontece pedagogicamente, a partir dos processos motores. Ela não pode ser entendida e desenvolvida sem seu obrigatório relacionamento com a totalidade da Educação Escolar (Pereira, 1997).
Os benefícios da inclusão na Educação Física são inúmeros, pois quando se participa com outras pessoas acontece um aumento de auto-estima, melhoria da competência física e social e também um aumento na variedade de modelos sociais propícios pela diversidade dos participantes. Ao longo dos anos, formou-se a idéia de que é muito difícil lidar com portadores de necessidades especiais, e como diz Rosadas apud Soler ( 2002):
Mas, para se descobrir o que é bom para eles, é preciso, antes de tudo, saber como são, para entendê-los melhor, e assim equacionar de forma mais equilibrada as atividades a eles destinadas.
“Os profissionais de Educação Física, devem Assumir um papel transformador com a competência específica da área, sendo atores vivos que constroem, mantêm e alteram significados sobre a área, sobre si próprios e sobre as atividades pelas quais respondem”.
O processo educativo inclusivo traz sérias implicações para os docentes e para as escolas, que devem centrar-se na busca de rever concepções, estratégias de ensino, de orientação e de apoio para todos os alunos, a fim de que possam ter suas necessidades reconhecidas e atendidas, desenvolvendo o máximo de suas potencialidades.
O principal objetivo que a Educação Física deve tentar obter no trabalho com pessoas com necessidades especiais é a sua total reintegração na sociedade, com autonomia, liberdade, criatividade e alegria. Os outros objetivos complementares também são tentados, como melhora da condição motora, domínio do corpo para o desempenho de atividades biopsicossociais e um desenvolvimento sócio-cultural (Soler, 2002).
O plano didático deve ser elaborado não mais mediante os parâmetros pré-estabelecidos, mas levando em conta a realidade dos alunos da classe. Cabe ao professor a tarefa de adequar-se ao seu “público”. A avaliação deve ser feita considerando o potencial do aluno, e não as exigências do sistema escolar. Fazer da observação atenta o seu mais importante instrumento de tomada de decisão.
Essa observação deve igualmente alimentar o momento de reflexão pós-aula, no qual a aula será submetida à avaliação em todos os seus aspectos e se planejarão as ações futuras (Ramos, 2005).
Os Jogos Cooperativos têm como característica principal a participação de todos, onde todos cooperam, vencem e nenhum deles perde. Foram criados para que as pessoas, e as crianças em especial, pudessem jogar de maneira divertida enquanto aprendessem coisas positivas a respeito de si mesmas, dos demais com quem jogam de modo como devem comportar-se no mundo. A cooperação é um meio eficaz a favor de uma retomada de consciência, contribuindo para diminuir a distância que separa pessoas, cidades, nações, países, enfim, incluindo todas as diferenças.
O professor de Educação Física na Educação Especial, durante a atividade, deve observar individualmente cada criança, e descobrir suas necessidades e, a partir daí, planejar suas aulas. É muito importante que as crianças sintam-se desafiadas e estimuladas a cada vez aprender mais (Soler, 2002).
Estariam esses profissionais preparados para receber e orientar pessoas com necessidades especiais?
A natureza das dificuldades encontradas pelos profissionais são, geralmente: problemas de aprendizagem, problemas de disciplina e necessidades educativas especiais. Estes, ressentem-se da falta de uma formação específica para o atendimento adequado de alunos com necessidades especiais.
na presente pesquisa 70% dos professores pesquisados, mencionaram que ainda não trabalharam com alunos com necessidades especiais e, 30% relataram que já trabalharam ou têm alunos com necessidades especiais em sua classe.
Em caso afirmativo, quais foram as dificuldades que você encontrou/vivenciou neste trabalho?
De acordo com o gráfico 02, dos professores participantes da pesquisa 35% afirmaram que o preconceito por parte dos demais alunos é um fator que dificulta muito o trabalho de inclusão. Outros 25% de entrevistados citam a falta de uma preparação profissional específica e 15% dos profissionais não têm segurança para adaptar as atividades conforme necessidade especial encontrada. Outra parte, 10% sentiram dificuldades quanto à estrutura física, 5% na comunicação, 5% relataram que o preconceito dos pais e professores influi de maneira negativa e 5% encontraram dificuldades por desinteresse do próprio aluno com necessidades especiais.
Você acha que sua escola dispõe de todos os recursos necessários para garantir uma boa educação para os alunos com necessidades especiais?
De acordo com o gráfico 03, no decorrer da pesquisa, 40% dos professores participantes, afirmaram que a sua escola dispõe de poucos recursos para atender os alunos com necessidades especiais, já 30% concordaram que sua escola está equipada adequadamente para receber essas pessoas. Outros 25% responderam que na sua escola não há nenhum recurso para esses indivíduos e 5% dos entrevistados preferiram não responder a essa pergunta.
Você, como educador, sente-se apto para incluir pessoas com necessidades especiais em suas aulas?
De acordo com o gráfico 04, dos professores participantes da pesquisa, 40% não sabem se estão aptos para incluir pessoas com necessidades especiais em suas aulas e 35% afirmam que realmente não estão. Somente 25% acreditam que estão aptos para esse trabalho.
Gráfico 05. Na sua opinião, qual a importância da família e da sociedade para a formação de uma pessoa com necessidades especiais?
De acordo com o gráfico 05, dos professores participantes da pesquisa, 34% afirmaram que o papel da família e da sociedade junto à escola, está em fazer com que a pessoa com necessidades especiais sinta-se aceita e integrada em seu contexto social. 25% relataram que estes devem ser os meios de socializar o indivíduo em qualquer contexto. 22% acreditam que a família e a sociedade influenciam positivamente na qualidade de vida e 19% acrescentaram que é na família e na sociedade que a pessoa com necessidades especiais precisa encontrar apoio psicológico, estímulo e carinho.
Considerações Finais
De acordo com os dados obtidos e apresentados , percebe-se que 75% dos Profissionais de Educação Física que trabalham no ensino fundamental, nas escolas particulares e públicas da zona urbana de Não-Me-Toque (RS ), não estão ou não se sentem aptos a trabalhar com pessoas com necessidades especiais, o que evidencia uma insegurança e uma despreparação profissional neste contexto.
Também segundo os dados apresentados , percebeu-se uma realidade tendenciosa aos preconceitos e narrativas por parte dos professores , alunos e familiares das pessoas com necessidades especiais, o que evidencia ainda uma grande falta de informação sobre esse assunto.
Para que o processo de inclusão realmente aconteça, é necessário somarmos esforços e competências a fim de que se possa viabilizar a inserção das pessoas com necessidades especiais neste contexto de forma totalizadora e não fragmentada , pois somente a partir dessas premissas poderemos viabilizar a inclusão escolar juntamente com a inclusão social.
Ao profissional de Educação Física, cabe não somente a responsabilidade de buscar a qualidade profissional e o ajustamento dentro dos contextos em que se atua, mas também interagir com a família, a sociedade e a escola, mostrando-lhes a importância e a responsabilidade que cada um possui perante o processo de inclusão.
